Inovar para agregar valor à saúde

Veja além do posto de atendimento para alcançar um maior valor

Escrito por Sheri Dodd

Às vezes uma mudança de perspectiva pode proporcionar avanços consideráveis na área da saúde. Embora seja dada muita atenção a descobertas científicas revolucionárias, normalmente uma simples mudança no modo como analisamos o problema ou colaboramos com uma solução pode proporcionar melhores resultados e reduzir custos.

DESPESA DE US$ 276 BILHÕES COM DIABETES E INSUFICIÊNCIA CARDÍACA (Estados Unidos, 2012)

Tomemos como exemplo o diabetes e a insuficiência cardíaca, as duas principais doenças para as quais é necessário dar atenção durante todo o tratamento. Em 2012, os Estados Unidos gastaram um total de US$ 276 bilhões no tratamento dessas duas doenças. Se for possível melhorar a administração e o controle de ambas, haverá uma economia potencial de 196 bilhões nas próximas duas décadas.

Entre os pacientes com diabetes, as úlceras no pé são a causa mais comum de hospitalização. Surpreendentemente, um terço (33 por cento) dos US$ 116 bilhões em custos diretos com o tratamento do diabetes em 2007 foram destinados ao tratamento desses ferimentos. Porém, uma análise realizada em 2011 mostrou que o custo para tratar pacientes (em planos de saúde comerciais) que receberam cuidados de um podólogo foi US$ 13.474 mais barato que entre pacientes que não receberam cuidados podológicos. Isso demonstra como apenas uma conversa entre médico e paciente pode evitar utilização de tratamentos caros e, em última instância, melhorar os resultados para os pacientes. Imagine se pudéssemos encontrar maneiras de otimizar todos os percursos de cuidados clínicos com um resultado como esse.

Assim como os pacientes com diabetes, os que sofrem de insuficiência cardíaca poderiam se beneficiar se o sistema de saúde desse mais atenção ao valor para os pacientes através de um tratamento contínuo. Todos os anos, cerca de 1 milhão de pacientes são hospitalizados com insuficiência cardíaca a um preço de US$ 31 bilhões em custos diretos e indiretos.

Pelo menos a metade desses pacientes será reinternada no hospital em seis meses, sendo a maioria das reinternações acontecendo nos primeiros 30 dias após a alta.

Colocando em termos econômicos, o custo total médio de uma hospitalização por insuficiência cardíaca é de US$ 8.184, enquanto o reembolso médio para uma consulta como essa é de US$ 6.111. Isso significa que os hospitais normalmente perdem dinheiro em cada paciente internado com insuficiência cardíaca.

Ao contabilizar as mudanças demográficas, espera-se que o custo para tratamento dessa condição progressiva seja mais que o dobro em 2030, atingindo US$ 70 bilhões.

CUSTO PARA TRATAMENTO DE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA = US$ 70 BILHÕES (EM 2030)

E se um paciente com insuficiência cardíaca pudesse receber um dispositivo implantável que oferecesse terapia personalizada em tempo real, resultando em menos visitas ao hospital? Isso se tornou, de fato, uma realidade. Um novo algoritmo nos dispositivos de terapia de ressincronização cardíaca da Medtronic permite que o dispositivo adéque o ritmo minuto a minuto à cadência natural do coração do paciente. Nos estudos, esses ajustes aparentemente irrelevantes reduziram quase pela metade as taxas de reinternação de pacientes com insuficiência cardíaca nos 30 dias após a alta, além de diminuírem significativamente o risco de hospitalizações por insuficiência cardíaca.

Essa inovação na tecnologia não ajuda apenas pacientes, mas também faz sentido financeiramente para os prestadores, sistemas e contribuintes da área da saúde.

O avanço do uso de monitoramento e gerenciamento remoto de pacientes também pode proporcionar melhores resultados para os pacientes e custos reduzidos no longo prazo. Estudos demonstraram eficiência clínica melhorada, reduções nas visitas a prontos-socorros e uma diminuição na duração da internação para pacientes com insuficiência cardíaca monitorados remotamente. Isso também pode melhorar a relação entre paciente e médico, possibilitando tempos de resposta menores às necessidades médicas.

Infelizmente, o monitoramento e gerenciamento remoto de pacientes não pôs em prática todo seu potencial devido à falta de incentivos financeiros compatíveis e a um modelo de oferecimento de tratamento ainda em desenvolvimento.

Os custos financeiros cada vez maiores associados ao tratamento de doenças crônicas exigem que todos nós que fazemos parte da área da saúde não só adotemos novas tecnologias, mas também novas parcerias e modelos de negócio. Isso também demanda uma mudança no nosso foco, do atual tratamento de necessidades imediatas e agudas para uma futura melhoria da nossa abordagem de tratamento mais amplo. Enquanto uma mudança na perspectiva ajuda a revelar oportunidades para o valor, esses tipos de esforços nem sempre são fáceis. Para atrair valor para interessados durante todo o tratamento, temos que nos comprometer em trabalhar além dos limites, expandindo nossos horizontes de tempo e assumindo riscos calculados para inovar além da tecnologia.

Tendo trabalhado na área da economia da saúde por mais de 20 anos, posso dizer que vivemos uma época sem precedentes em que todos na área da saúde – desde contribuintes a prestadores, passando pelos pacientes – estão ativamente trabalhando com o objetivo de gerar valor para os pacientes. A Medtronic está comprometida em combater esses desafios como parceiro, não apenas como desenvolvedor de tecnologia, para garantir que pacientes com diabetes, insuficiência cardíaca e outras doenças crônicas recebam tratamento da melhor qualidade com o menor custo.

Sheri Dodd
Vice-Presidente de Economia da Saúde e Acesso ao Mercado na Medtronic, Inc.